Do leitor: Pecado capital

Dentre os sete pecados capitais talvez o da gula seja o mais politicamente correto. Por quê? Porque, a rigor, não invade o espaço do outro, a não ser que se chegue ao extremo de roubar comida da geladeira na madrugada. Bem, daí saímos do pecado da gula para o transtorno alimentar.

Ponderações à parte, que, aliás, nos ajudam a justificar alguns “deslizes”, acreditamos que podemos nos dar ao luxo e prazer (ih, pecado capital de novo?) de escolher restaurantes e pratos avaliados como caros.

Caro? Realmente não é consenso, não é unanimidade nacional. Podemos avaliar que ao nos deliciarmos com um prato soberbo, um serviço personalizado, um ambiente absolutamente agradável e acolhedor nos deparamos em questionar. É caro? Não, porque vale o que pagamos, porque trabalhamos para, eventualmente, proporcionarmos a nós mesmos um momento de prazer. Mas, também, nem tudo que é caro é bom. Por muitas vezes nos vemos comendo bem e barato.

Certamente vale escolher um restaurante avaliado como caro, principalmente quando sabemos que a extravagância cabe em nosso orçamento e não nos causará, a médio ou longo prazo, uma gastrite por stress ao vermos nosso saldo no vermelho. Não vamos esquecer que comer, e bem, é culturalmente forte para o gaúcho.

PECADORES

O analista de sistemas Fernando Suchocki, de 28 anos, e o estudante Juliano Warpechowski, de 19 anos, são prova de que pagar mais vale a pena. Fernando opta por restaurantes caros, principalmente, na hora de comemorar datas especiais ou quando quer uma opção diferenciada, uma comida exótica. “Eu prefiro os restaurantes caros porque o serviço e os produtos são diferenciados. Só retorno quando percebo que o local tem um valor agregado que o destaca dos demais”, diz.

Juliano considera que cada restaurante tem um fim específico, “um é ideal para jantar com a família, outro para tomar um chopp com os amigos”. Ele recomenda o Biermarkt, que serve chopp artesanal, e para o jantar em família o Applebee’s no Barra Shopping Sul. O estudante costuma escolher o lugar de acordo com a expectativa que tem dele e não pelo preço. Porém, os restaurantes sofisticados têm seu lado ruim: “Tenho a impressão de que as pessoas ficam me olhando e julgando se eu deveria ou não estar ali”, conta.

Juliano Warpechowski

A diferença de idade não influencia na escolha do restaurante, é unanimidade que a qualidade do produto é o que interessa. “Acho que, antes do preço, o importante é a qualidade do que é servido e o ambiente. Além disso, costumo levar em conta a opinião dos meus amigos”, diz Rosane Arnhold, nutricionista e farmacêutica.

A LEITORA

Katia Beidacki tem 44 anos e é Terapeuta Ocupacional. Além de gostar de escrever, aprecia bons restaurantes, sejam eles caros ou não.

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