O Mercado Público e suas peculiaridades

“É uma alegria entrar aqui, há liberdade para transitar entre as bancas, diferente do supermercado, que é bem mais sério”, conta Asta Bergamon, 75 anos. A senhora, moradora de São Leopoldo, diz que, quando vem a Porto Alegre, a visita ao Mercado Público é certa desde que era criança. Esse é o clima que se sente no local, um espaço democrático onde é possível encontrar os mais diversos tipos de pessoas, de todas as idades, todas as religiões e todas as classes sociais. As cores e os cheiros exóticos atraem o público para constantes visitas e compras. Kenny Braga, jornalista de 65 anos, frequenta o Mercado Público há mais de trinta. “O Mercado, além de ser um lugar de convivência e amizade, é onde compro os produtos necessários para o meu dia-a-dia”, destaca ele.

Bacalhau Porto Gadus Morhua (Foto: Juliana Palma)

O Mercado Público de Porto Alegre pode ser um local onde se encontram alimentos mais baratos. Porém, alguns dos produtos à venda lá são difíceis de achar em estabelecimentos comuns, por isso têm preços mais elevados. Leopoldo Gallo, 65 anos, trabalha há mais de 20 no Mercado e conhece as mais diferentes opções que o lugar oferece. “O bacalhau Porto Gadus Morhua, por exemplo, custa R$ 68,00 o quilo, por ser o mais fino de todos. Também há o bacalhau que já vem na bandeja, limpo e pronto para o preparo, e custa R$ 79,00″, explica. Para aqueles que não querem gastar tanto, existe uma alternativa mais barata: o bacalhau Ling Imperial de R$ 24,00.

Além do peixe, pode-se encontrar frutos secos e grãos importantes para uma dieta equilibrada. A quinoa é um produto peruano e possui as mesmas propriedades do leite materno, seu preço é de R$ 33,00 o quilo. As nozes chilenas também são bastante procuradas, custam em torno de R$ 50,00 o quilo. “Alguns itens são mais populares por estarem na moda, saem em revistas de saúde e beleza”, diz Leopoldo. A exemplo disso, o Óleo de Coco é específico para auxiliar na dieta e o litro sai por R$ 64,00. O azeite de oliva, cujo preço varia de acordo com o nível de acidez – quanto menos ácido, mais caro -, tem saída constante. Chile e Portugal são os países que produzem os azeites de maior preço, em torno de R$ 26,00. Na seção dos temperos, o açafrão é o mais valorizado. Comum na Espanha, é muito utilizado no preparo da paella. Um grama da iguaria custa R$ 32,00. “Um quilo de açafrão é mais caro que um quilo de ouro”, afirma Leopoldo.

Pitaia (Foto: Juliana Palma)

Mesmo as frutas, que costumam ser bem acessíveis, podem ter seus preços elevados devido às características peculiares. O rambutã, complicado de se encontrar em mercados comuns, custa R$ 5,00 a unidade, apesar de ter um tamanho pequeno. Já a pitaia possui um tamanho maior, mas custa R$ 9,00 a unidade.

Uma especialidade muito famosa e procurada entre as bancas do Mercado Público é o Jacu Bird Coffee. Os grãos do café são ingeridos, ainda no pé, e eliminados lá mesmo pela ave Jacu. A equipe de produção colhe os grãos, que são secos e limpos, e depois torrados para o consumo. “O resultado é um café com sabor suave”, constata Elisângela Klafke Borges, 33 anos, vendedora da banca Café do Mercado. O estabelecimento vende a quantia de dez pacotes de 250g por semana, apesar do elevado preço de R$ 68,00 a embalagem.

Jacu Bird Coffee (Foto: Juliana Palma)

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